Máscaras descartáveis são uma “pandemia ambiental”

Perceber o conhecimento e os comportamentos das pessoas face à utilização de máscaras de proteção contra a covid-19 era precisamente o objetivo do estudo que Ana Catarina Santos promoveu no âmbito da sua tese de mestrado.

Para alertar para o problema ambiental criado pela pandemia de covid-19, Ana Catarina Santos decidiu realizar uma experiência de campo: pegou em máscaras descartáveis, quer cirúrgicas quer do tipo N95 (ou FFP2), e depositou-as no solo, deixando-as permanecer assim durante um ano. No final desse período, o resultado era o que já temia: as máscaras permaneciam completamente inalteradas.

O problema da solução. O título da tese de mestrado de Ana Catarina Santos resume a dimensão do que enfrentamos. Para acorrer à urgência de uma pandemia sanitária criou-se uma outra, ambiental, cujo impacto a longo prazo “pode ser ainda maior” para a saúde do planeta, refere a agora mestre em Ecologia e Ambiente pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. A contaminação provocada pelos muitos milhares de toneladas de máscaras descartáveis deitadas ao lixo ou simplesmente abandonadas no meio ambiente é uma fatura para ser cobrada por muitos anos, e nem os alertas da própria Organização Mundial de Saúde e de diversas associações ambientalistas parecem ser suficientes para alterar comportamentos.