O presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP) quer que o Governo se pronuncie sobre os horários de abertura das superfícies comerciais nos fins de semana e critica “decisões individuais” que “podem pôr em risco o espírito das regras”.
“Há um vazio no decreto do estado de emergência que define os encerramentos, mas não define quando podem abrir (…). Começamos a ver anúncios e pedidos de médias superfícies para abrir às 06:30. Ou isto é para pensar como uma estratégia de confinamento e utilização minimalista dos serviços ou fica difícil explicar às pessoas o objetivo de tudo isto”, defendeu Eduardo Vítor Rodrigues.
Em declarações à agência Lusa a propósito de uma reunião que hoje juntou no Porto vários autarcas e os secretários de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, e da Mobilidade, Eduardo Pinheiro, o líder da AMP disse saber que esta “clarificação” não será dada pelos governantes com quem reuniu à tarde, mas contou que esta foi “uma das dúvidas e preocupações” que esteve em cima da mesa.
“O Conselho de Ministros tem de dizer se faz sentido ou não permitir mais uma exceção. Isto pode ser entendido como uma coisa estranha que viola o espírito das regras. Não percebo o caso do Pingo Doce, porque que eu saiba não houve pronuncia de nenhum Município. E se não contactaram os Municípios, o Governo tem de se pronunciar”, referiu.
A Jerónimo Martins anunciou hoje que vai antecipar a abertura da “maioria das suas lojas” Pingo Doce para as 06:30, no fim de semana, devido às limitações de circulação impostas pelas medidas de contingência da covid-19.
Usando este exemplo, Eduardo Vítor Rodrigues afirmou à Lusa que não lhe parece “normal” que se crie um regime de saída mínima para questões absolutamente essenciais, mas a seguir, já que não pode estender o horário para a frente, se estenda horários para trás”.
“Julgo que isto atrapalha a comunicação. Não posso andar a dizer às pessoas ‘fique em casa e se precisar de ir ao supermercado, vá só mesmo, mesmo se precisar’ e depois existem exceções. São exceções que podem ser mal interpretadas”, frisou Eduardo Vítor Rodrigues.
Para insistir na tese de que são necessárias “medidas generalizadas e critérios de razoabilidade”, e revelando que recebeu “mensagens de autarcas a pedir clarificação”, o também presidente da câmara de Vila Nova de Gaia deu outros exemplos que podem gerar dúvidas.






