Segunda-feira, Fevereiro 16, 2026

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“O tratamento do vaginismo só é eficaz quando cuida também da dimensão emocional da mulher” – Artigo de opinião

Sentir dor intensa ou frequente durante as relações sexuais não deve ser considerado normal, alerta a médica
ginecologista Catarina Marques. Explica que, quando o desconforto é recorrente ou impede a penetração, é
essencial investigar a causa com apoio especializado.
“Uma das possíveis explicações para esse quadro é o
vaginismo, uma disfunção sexual que provoca contrações involuntárias dos músculos do pavimento pélvico
em redor da vagina, que dificulta ou inviabiliza a penetração vaginal”, refere.
Para mulheres em idade fértil que desejam engravidar, o diagnóstico pode representar um obstáculo real,
mas não é intransponível. A Dra. Catarina Marques, que também é especialista em medicina da reprodução do
IVI Lisboa, sublinha que, “com o acompanhamento adequado, é possível encontrar um caminho bem-sucedido
para concretizar o sonho da maternidade”
. E acrescenta que a abordagem deve incluir tratamento
especializado, apoio emocional e psicológico e, se for necessário, métodos alternativos de conceção. Ou seja,
considera que “o tratamento do vaginismo só é eficaz quando trata também a dimensão emocional” da mulher.
“O tratamento deve ser estruturado e orientado por uma equipa multidisciplinar. O diagnóstico do vaginismo
baseia-se numa avaliação clínica cuidadosa, complementada por escuta ativa e, em alguns casos, exames
complementares. O plano terapêutico pode incluir fisioterapia do pavimento pélvico, terapia cognitivo-
comportamental, uso de dilatadores vaginais e, em situações específicas, a aplicação de toxina botulínica
(botox) para aliviar a contração muscular”, revela a médica.
A Dra. Catarina Marques salienta que o tratamento requer tempo, o envolvimento da mulher e, muitas vezes,
a colaboração do parceiro ou parceira. Acrescenta que “é importante destacar que o vaginismo tem cura e
muitas mulheres retomam a sua vida sexual plena após o tratamento, o que pode permitir a conceção natural,
desde que não existam outros fatores de infertilidade, sempre com respeito pelo ritmo e pela individualidade
de cada mulher”
.
Na opinião da especialista, e a par do tratamento, deve ser implementada uma vertente que envolva o cuidado
com o impacto emocional e psicológico que esta condição pode provocar.
“O vaginismo, na maioria das vezes,
não está apenas relacionado com o corpo, mas também com a história emocional e crenças da mulher.
Traumas, medo, vergonha, rigidez cultural ou religiosa e ausência de educação sexual adequada podem estar
na base do problema”, frisa. Por isso, defende que o acompanhamento psicológico é essencial para tratar a
disfunção e para restituir a autoestima, o prazer e o bem-estar sexual que possa levar a uma gravidez de forma
natural.
Quando a conceção natural não é possível, seja pela persistência do vaginismo ou pela presença de outros
fatores de infertilidade, é possível recorrer a métodos alternativos de reprodução. A Dra. Catarina Marques,
lembra que técnicas como a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro são alternativas viáveis para que o
sonho da maternidade se concretize, mesmo quando a relação sexual com penetração não é possível.
“Com o
tempo e o tratamento adequado, a mulher pode voltar a tentar as relações sexuais e avaliar a possibilidade
de uma conceção natural. Caso não seja possível ou se descubra algum fator de infertilidade no casal, as
técnicas de reprodução assistida são aliadas importantes”, afirma.