Quinta-feira, Março 5, 2026

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“Ser ou não ser, eis a questão”

A política portuguesa entrou num rumo de descredibilização sem retorno.

Inúmeros casos que são do conhecimento geral tiveram um desfecho muito penalizador para os implicados e que em grande parte deles ficou provada a sua inocência.

Noutros, que ainda decorrem em tribunal, ao fim de longos anos e nalguns, poucos, ficou provada a culpabilidade.

Esta descredibilização, na minha opinião, não se pode imputar somente à classe política, mas também (e principalmente) à justiça morosa e penalizadora para quem tem poucos recursos financeiros, à comunicação social e até à própria sociedade.

A frase “À mulher de César não basta ser honesta deve parecer honesta”, que tantas vezes é evocada para caracterizar a atuação dos políticos, peca pelo excesso, como se tem verificado inúmeras vezes.

O caso de Miguel Macedo, à semelhança de tantos outros,devia fazer-nos refletir a todos se estamos a caminhar no sentido de termos uma sociedade justa, sem pré-conceitos nem condenações na praça pública, na maioria das vezes infundadas.

Uma sociedade saudável não deve pactuar com esta culpabilização de todos até que se prove o contrário deve refletir exatamente o inverso todos são inocentes até que se prove a sua culpabilidade.

Ninguém está livre de ser alvo de um processo de investigação por parte da justiça quanto mais não seja por uma denúncia mesmo que anónima.

Os agentes judiciais devem proceder às investigações que acharem pertinentes para apurar a verdade. No entanto penso que todos desejamos que essas investigações não se transformem automaticamente em condenações como tem sucedido frequentemente.

Todos somos culpados deste ambiente penalizador:

A justiça, porque um processo de averiguações deve permanecer em segredo (até para ser mais eficaz) e a constante quebra desse sigilo é uma realidade prejudicial para investigação, mas mais ainda para o implicado com consequências devastadoras para sua credibilidade e honradez;
Os políticos, que na maioria das vezes, por interesses partidários e eleitoralistas alimentam essas suspeições não valorizando a verdade;
Alguma comunicação social, que vive do sensacionalismo e não tem interesse em apurar os factos mas sim seguir de caso em caso;
E a própria sociedade que é complacente com este estado de coisas e não penaliza quem alimenta falsas questões e boatos.

Aqui chegados vamos ao que realmente interessa se a nossa sociedade está desperta para questão em causa: o que é mais importante? o ser ou não ser ou aquilo que parece ser e na maior parte das vezes não é, ou até pode não ser.

Com certeza os melhores cumprimentos,

Pelo Grupo Municipal do CDS-PP de Vila Nova de Gaia

Victor Pereira

Redação Terras de Gaia
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